domingo, 21 de fevereiro de 2010

Pagar tratamento de dependente químico devasta orçamento familiar

Pagar tratamento de dependente químico devasta orçamento familiar

Marinella Castro - Estado de Minas

Publicação: 21/02/2010 07:48 Atualização: 21/02/2010 11:08
R. abraçado pelos pais, em frente à clínica onde está sendo tratado: carro já foi vendido e próximo passo agora é se desfazer do apartamento da família, na Região Oeste de BH - (Cristina Horta/EM/D. A Press )
R. abraçado pelos pais, em frente à clínica onde está sendo tratado: carro já foi vendido e próximo passo agora é se desfazer do apartamento da família, na Região Oeste de BH
Tratar a dependência química não é mais uma decisão apenas do paciente, mas do quanto o orçamento doméstico é capaz de pagar. O tratamento, que pode custar mais de R$ 10 mil por mês nos centros especializados, consome não só o amor das famílias, mas as economias de vários anos, a paz e, em alguns casos, o patrimônio. Mesmo assim, o esforço de pais, avós e parentes costuma não ser suficiente para arcar com a conta do hospital. O peso deveria ser dividido com os planos de saúde, mas a cobertura para o tratamento ainda não é uma realidade ampla, apesar de ser garantida pelas normas do setor. O mais grave, contudo, é que a defasagem entre a pequena oferta das empresas frente à escalada da dependência química está transferindo a delicada decisão para a Justiça.

A dependência química é uma doença social descrita pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com números que assustam o mundo. No país, estima-se que 11% da população tenham envolvimento com álcool e outras drogas. De acordo com a regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a internação, sem limite de tempo, é um direito de quem contratou um plano de saúde, desde que seja uma prescrição médica. Mas, na realidade, quando o tratamento não é feito na rede pública, ele acaba sendo bancado pelo orçamento doméstico. Os motivos variam desde a ausência de vagas na rede de tratamento conveniada até a baixa adesão dos planos aos convênios com centros de tratamento a médio prazo.

Um dia depois de descobrir que o filho adolescente R. havia se tornado usuário de cocaína, droga que, junto com colegas entre 13 e 16 anos descobriu na escola particular, Silvia (*) e o marido João deram início à fase mais difícil de suas vidas. Os dias se transformaram em uma batalha para salvar o filho, e agora a família se prepara para discutir, na Justiça, o direito à cobertura médica. R. é um garoto de classe média, que tem plano de saúde. Ele engrossa as estatísticas que apontam o crescimento do envolvimento de adolescentes com substâncias lícitas e ilícitas. Segundo os últimos dados do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas (Cebrid), 23,5% dos jovens entre 12 e 17 anos já experimentaram algum tipo de droga.

Aos 16 anos, o menino charmoso de sorriso manso tornou-se agressivo em casa, até mesmo com o pequeno L., o irmão de 8 anos. Quando sem controle e transtornado, avançou contra os pais com o propósito de agredi-los. Só foi contido em uma ação policial. Por determinação médica, e também como uma medida judicial de proteção, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, o menino deveria ser imediatamente internado, já que, naquele momento de surto, representava uma ameaça para si mesmo e para terceiros.

Apesar de a indicação médica e da Justiça, a vaga não foi liberada pelo plano de saúde. “Assim que descobrimos que nosso filho havia se envolvido com drogas, tentamos o tratamento ambulatorial e uma internação rápida, que não deu resultado. Ficamos desesperados. R. fugiu de uma clínica, ficou perdido por vários dias. Quando reapareceu, tornou-se extremamente agressivo em casa, e a Justiça determinou: ou a internação ou a cadeia”, conta, emocionada, a mãe do adolescente.

Como a família já havia vendido o carro, instrumento de trabalho do pai do garoto, para pagar a primeira internação de desintoxicação, decidiram acionar a Unimed-BH. “Foi aí que começou o nosso desespero. Precisamos internar R. com urgência e o plano, em um primeiro momento, disse que não tinha nenhum hospital credenciado”, lembra a mãe.

Depois de uma semana, a conversa avançou e a Unimed-BH ofereceu uma carta com a opção de duas instituições: o Hospital André Luiz e a Clínica Pinel, ambos para tratamento psiquiátrico. “Acontece que os dois hospitais se negaram a internar o meu filho, por ele ser menor. A Pinel, além de não trabalhar com crianças e adolescentes, também não interna involuntários, como era o nosso caso”, diz a mãe. O primeiro hospital entregou aos pais uma carta explicando a negativa de atendimento. A reportagem do Estado de Minas entrou em contato com a Pinel e recebeu a confirmação de que a instituição, de fato, não trabalha com menores.

(*) Os nomes dos personagens foram trocados para preservar a identidade das fontes
(**)Existem Comunidades Terapêuticas Alternativas em diversos estados, onde o tratamento voluntario pode variar entre R$ 600,00 e 2.500,00 mensais,atendendo menores de 18 anos e obtendo resultados animadores e sem a necessidade do uso de medicamentos (Rivotril, Diazepan, neusine,...)

O QUE É DEPENDÊNCIA DE TÓXICOS

O QUE É DEPENDÊNCIA DE TÓXICOS:

Num sentido geral ela é caracterizada pela necessidade incontrolável de prosseguir consumindo uma substância compulsivamente, apesar dos problemas significativos que podem surgir, sejam físicos, emocionais, financeiros, etc.
Os tóxicos, agindo no sistema nervoso central, vão produzir olhos brilhantes, palavras fáceis, excesso de movimentação, falta de autocrítica, desinibição, euforia e sensação de bem-estar físico. Este é o aspecto exterior do dependente.
Internamente, o problema se apresenta grave: o sistema nervoso central é atingido. Atuando sobre o cérebro, as drogas provocam alteração do funcionamento de todo organismo. O cérebro ordena um funcionamento mais acelerado dos aparelhos respiratório e circulatório, provocando uma sobrecarga nos pulmões e no coração. A fuga à realidade vai provocar uma momentânea sensação de bem-estar que, posteriormente, trará consequências de extrema gravidade.

CARACTERÍSTICAS GERAIS DA DEPENDÊNCIA:
A dependência é um grupo de características relacionadas ao conhecimento, comportamento e pensamento que indicam que uma pessoa não é capaz de controlar-se no uso de alguma droga. A dependência é composta por várias características gerais que não precisam estar todas presentes para que a mesma se caracterize. Eis as principais:
+ Depois da primeira dose, a pessoa sente vontade de repetir, mesmo quando prometeu só usar “um pouquinho”.
+ Gasta muito do seu tempo para conseguir, para usar ou recuperar-se do uso da droga;
+ Intoxicada (sob efeito da droga) ou com sinais de “falta” da droga nos horários em que deveria estar produzindo (exemplo: falta ao trabalho porque usou a droga precisa procurar a droga para sentir-se “bem”).
+ Afasta-se da família, do trabalho ou dos divertimentos para ficar usando a droga sozinho ou com outros amigos.
+ A pessoa não para de usar a droga, mesmo quando sabe que a mesma está lhe fazendo algum mal (físico, psicológico ou social), porque usa há mui

SINAIS DE DEPENDÊNCIA

A dependência, que é sempre consequência do uso esporádico ou frequente de algum tipo de produto tóxico que altera o metabolismo do corpo, apresenta uma série de indicadores para uma possível dependência, não
necessariamente em sua totalidade.
Eis os principais, normalmente citados:

+ Normalmente, a pessoa sente vontade de repetir, mesmo quando prometeu só usar “um pouquinho”;
+ Gasta muito do seu tempo para conseguir, para usar ou recuperar-se do uso da droga;
+ Apresenta-se intoxicada (sob efeito da droga) ou com sinais de “falta” da droga nos horários em que deveria estar produzindo. (Exemplo: falta ao trabalho porque usou a droga ou precisa procurar a droga para sentir-se “bem”);
+ Afasta-se da família, do trabalho ou dos divertimentos para ficar usando a droga sozinho ou com outros amigos;
+ A pessoa não para de usar a droga mesmo quando sabe que a mesma está lhe fazendo algum mal (físico, psicológico ou social), porque usa há muito tempo ou em quantidades muito altas;
+ Ocorre tolerância, ou seja, a pessoa precisa tomar maior quantidade de droga para sentir o mesmo efeito das primeiras vezes;
+ Se a pessoa parar de usar ou diminuir a quantidade de droga, aparecem sintomas de abstinência, ou seja, o organismo “sente falta” da droga;
+ A pessoa usa a droga para não apresentar, ou para diminuir os sintomas de abstinência;
+ Muitas são as substâncias que produzem dependência, desde os alucinógenos, a cocaína, as anfetaminas, a maconha, até alguns medicamentos, como calmantes e as substâncias aceitas pela sociedade, como o álcool e o tabaco.

DEPENDÊNCIA FÍSICA e PSICOLÓGICA
A dependência é física quando as drogas, alterando o metabolismo orgânico, obrigam o usuário a continuar consumindo tóxico; o corpo desenvolve uma constante necessidade da droga. Caso a droga não seja ministrada surgirá um conjunto de reações orgânicas conhecidas como crise ou síndrome de abstinência.
Um exemplo deplorável dessa síndrome é o “delirium tremens” que atinge o ébrio inveterado, quando se suspende, de súbito, a bebida alcoólica. Os tóxicos que criam dependência física, dizemos que causam “VÍCIO”.
A dependência é psíquica quando o consumo repetido de uma droga cria o invencível desejo de usá-la pela satisfação que produz. A falta do tóxico deixa o usuário abatido, em lastimável estado psicológico. Este efeito pode ser reforçado por uma exigência emocional ou pessoal do dependente. Este efeito pode também ser reforçado por uma dependência física, embora possa aparecer isoladamente. Uma pessoa pode, também, ser psicologicamente dependente de outras substâncias que não sejam drogas. Este estado psicológico é determinante de situações que tornam difícil o abandono de drogas. Os tóxicos que criam dependência psíquica, dizemos que causam ”HÁBITO”, como por exemplo, a nicotina, os barbitúricos, as anfetaminas, etc.

QUAL O VERDADEIRO PERIGO DAS DROGAS?
O maior perigo é a grande deformação psicológica que elas criam. Qualquer droga pode dar início a sensação de liberdade, euforia e até onipotência, mas com o passar do tempo, o viciado não percebe que sua vida passa a ter um único objetivo - A DROGA.
E tudo aquilo que ele buscava no início é substituído pelo tóxico com doses maiores e em intervalos de tempo cada vez menores. Suas 24 horas do dia só passam a ter uma busca - A DROGA. É esta deformação psicológica que o dependente só vai perceber quando estiver à beira do sanatório ou a caminho de uma morte sem dignidade, tentando abandonar desesperadamente a droga sem poder.

A DEPENDÊNCIA É UMA DOENÇA

O uso contínuo de substâncias tóxicas causam dependência e com o passar do tempo, acaba por instalar-se como doença denominada de “dependência química”, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como tal.
O valor de conceituarmos a dependência como doença retira o problema da esfera moral e social. Com frequência, as pessoas olham para os dependentes como pessoas fracas, de pouca força de vontade, sem bom senso e sem sabedoria. Entretanto, quando a consideramos como doença, podemos olhar sob outra perspectiva: de que se trata de um transtorno, em que o portador desse distúrbio perde o controle no uso da substância, e sua vida psíquica, emocional, espiritual, física vão deteriorando gravemente. Nessa situação, a maioria das pessoa precisa de tratamento e de ajuda competente e adequada.
- É uma doença química: Pelo fato que o que provoca a dependência é uma reação química no metabolismo do corpo. O álcool, embora a maioria das pessoas o separe das drogas ilegais, é uma droga tão ou mais poderosa em causar dependência em pessoas predispostas, quanto qualquer outra droga, ilegal ou não.
- É uma doença interna e não externa: A causa básica e única é o uso do produto, mas existem fatores internos inerentes ao organismo, que atuam ao mesmo tempo direta e indiretamente e que contribuem para a instalação da doença, provocando uma predisposição física e emocional para a dependência. As expressões externas de uma dependência, como uma série de problemas sociais (pressão de grupo, moda, fome e miséria), familiares (falta de diálogo com os pais), sexuais, profissionais, emocionais (ansiedade, culpa), religiosos, etc., não são as geradoras da dependência química e sim consequências de um determinado estilo de vida.
- É uma doença de variadas consequências: Como já dissemos, a dependência química gera inúmeros problemas sociais, espirituais, familiares, físicos etc.
- É uma doença progressiva: A lógica da interrupção desse processo destrutivo é não usar mais a droga, caso contrário a tendência é piorar com o passar do tempo.
- É uma doença crônica incurável: Uma vez dependente químico, sempre dependente, indiferente de estar ou não em recuperação, usando ou não usando algum tipo de droga. Não há cura para a dependência; existe sim tratamento com êxito - contínuo e permanente.

- É uma doença controlável: Mesmo que não se possa usar o álcool ou outras drogas de maneira “social” ou “recreativa”, a exemplo de um diabético que não pode exagerar no açúcar, o dependente, se aceitar, e realmente se empenhar no tratamento, poderá viver muito bem sem a droga e sem as conseqüências negativas do seu uso frequente.
- É uma doença que atinge toda família: Qualquer tipo de comportamento toxicomaníaco tem uma incidência sobre aqueles que rodeiam a pessoa em causa e, sobretudo, sobre a sua família, tornando-a co-dependente do problema. O convívio com o dependente faz com que os familiares adoeçam emocionalmente, sendo necessário que o familiar também se trate, e, ao mesmo tempo, receba orientações a respeito de como lidar com o dependente, como lidar com seus sentimentos em relação ao mesmo.
- É uma doença física: Se manifesta pelo aparecimento de profundas modificações físicas, alterando o metabolismo orgânico quando se interrompe o uso da droga. Obrigam o usuário a continuar consumindo tóxicos; caso contrário, sobrevem uma “crise ou síndrome de abstinência”. Essas alterações presentes na “Síndrome de Abstinência” se manifestam por sinais e sintomas de natureza fisica e variam conforme a droga. Os tóxicos que criam dependência física, dizemos que causam/provocam “VÍCIO”.
- É uma doença psicológica: É a sensação de satisfação e um impulso psíquico provocado pelo uso da droga que faz com que o indivíduo a tome continuamente, para permanecer satisfeito e evitar mal estar, ou seja, quando o consumo repetido cria o invencível desejo de usá-lo pela satisfação que produz. A falta do tóxico deixa o usuário abatido, em lastimável estado psicológico. Quando privados os dependentes sofrem modificações de comportamento, mal-estar, e uma vontade irreprimível de usar a droga. Os tóxicos que criam dependência psíquica, dizemos que causam/provocam “HÁBITO”.
- Uma doença espiritual: A iniciativa de buscar refúgio ou prazer em qualquer tipo de droga já caracteriza uma patologia grave, não só orgânica como também em relação a própria existência humana. O abandono dos caminhos de Deus nos afastam do seu amor que traz a verdadeira liberdade e prazer em viver. Tais estilos de vida somente nos arrastam e nos prendem ao mundo das dependências, que só geram dor, sofrimento e desgraça humana.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O que fazer?

“Matar ou morrer, matar um pai ou uma mãe, tudo para conseguir o crack” frase do jovem Gustavo Ramos, irmão do jogador Mauricio Ramos.
Esta é a realidade deste mundo de faz de conta. Não são poucos os casos de assaltos, furtos, homicídios alavancado pelo desejo irrefreável de satisfazer o desejo supremo de suas vidas, que destrói sonhos e afoga em lagrimas mães, esposas, enfim todos os que estão envolvidos direta e indiretamente com algum dependente químico.
Em uma reportagem no dia de hoje (06/02), pude assistir um senhor lamentando-se haver sofrido dois assaltos, realizados pelo mesmo jovem. O que lhe deixava indignado era que este mesmo jovem além de morar na casa atrás da sua, ele o vira crescer, e relatava que em inúmeras ocasiões lhe dera dinheiro para comprar doces.
O dependente químico não é um individuo de natureza má, sim, são geralmente pessoas dóceis, carinhosas, inteligentes, entre outras características. Quem os conhece custam a crer que nas atitudes que tomam nos momentos em que entram no período de abstinência, violência, falta de amor, agressão as pessoas que amam, falta de consciência, perda de valores morais e éticos. O dependente químico neste momento é psicologicamente modificado, muda digamos assim do vinho para o vinagre.
Muitas vezes os pais não sabem mais como proceder, muitos apelam para medidas extremas, e não são poucos. Conheci pais que para proteger suas famílias e a vida do dependente químico buscam nas duras garras da lei a salvação. Pais que denunciam os filhos por furtos e agressões, uma das mais usadas é a lei Maria da Penha, uma vez que são as mães, irmãs e esposas as principais vitimas. Nesta semana estive com um pai de u usuário de crack e durante a nossa conversa perguntei sobre o jovem e para minha alegria e espanto recebi a seguinte resposta: “está ótimo, está vendo o sol quadrado”.
Como podemos agir, como proceder quando nos vemos envolvidos em tal situação, muitas vezes nós que trabalhamos nesta área, seja como psicólogo, psiquiatra, medico, enfermeiro ou pastor. Perguntamos-nos qual o método que melhor se enquadra a situação que nos é apresentada, internação voluntaria ou involuntária.
O que é internação voluntaria e involuntária?
I - internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usuário;
Este tipo é a que tenho maior proximidade, é onde o próprio dependente busca ajuda para mudar sua situação, mesmo que venha desistir algumas vezes do tratamento, devido a ser um tratamento em que se tem a opção de desistir em qualquer ponto.
II - internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro;
Método que ficou amplamente conhecido nos meios de comunicação, quando uma comunidade terapêutica no estado de São Paulo apareceu arrebatando dependentes químicos pelas ruas paulistas, usando inúmeras maneiras para encaminhá-los ao tratamento.
III - internação compulsória: aquela determinada pela Justiça.
Esta ultima é a utilizada atualmente muito comumente no Estado do Rio de Janeiro onde foi aprovado a internação compulsória de menores dependentes químicos, independente da sua vontade e dos seus familiares.
Escolha a que lhe é mais conveniente neste momento!