sábado, 30 de outubro de 2010

Epidemia de crack está fora de controle

Epidemia de crack está fora de controle, adverte especialista
Cerca de 1,2 milhão de pessoas fazem uso da droga no país.
Psiquiatra da Uerj diz que atendeu 200 pacientes e só recuperou um.
Aluizio Freire Do G1 RJ
Um fotógrafo profissional de 40 anos, depois de passar noites vagando pelas ruas, evitando as pessoas, não resistiu aos apelos do vício e entregou sua câmera Canon de última geração, avaliada em mais de R$ 20 mil, nas mãos de um traficante. Em troca, pediu 30 pedras de crack. Duas meninas, uma de 8 e outra de 12 anos, satisfaziam todos os desejos sexuais de "craqueiros", em uma praça do Rio, para ter a droga. Embora os efeitos devastadores do crack sejam conhecidos, nem mesmo os especialistas mais experientes possuem uma receita eficaz para tratar os usuários dessa droga.
“Calcula-se que hoje pelo menos 1, 2 milhão de pessoas usem crack no Brasil. A maioria jovens. A gente não está falando de usuários de uma droga. A gente está falando de uma geração. Acho que estamos despreparados. Estamos de calças curtas. A gente não sabe como lidar com isso”, reconhece a psiquiatra Maria Thereza Aquino, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que durante 25 anos dirigiu o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad).
Os dramas dos personagens acima foram relatados a profissionais do Nepad, instituição que capacita professores, desenvolve pesquisas e oferece atendimento psicanalítico e terapêutico aos usuários. “Eu, honestamente, de todos os pacientes de crack que atendi, perto de 200, de 2008 a 2010, só recuperei um”, admite a psiquiatra.
Quanto ao aumento do número de usuários no Brasil, que já contabilizaria mais de 1 milhão de pessoas, Maria Thereza se refere ao estudo apresentado no início do mês passado pelo psiquiatra Pablo Roig, especialista no tratamento de dependentes da droga, durante o lançamento da Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack, na Câmara dos Deputados.
"O crack tem uma extensão assustadora. Existe uma sensação de descontrole, de perda da situação", afirma Pedro Lima, da Secretaria municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro.
“É uma coisa que assusta muito a gente. O problema é que quase ninguém sabe como lidar com isso”, emenda a gerente de projetos da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Suelen da Silva Sales, ao anunciar a formação de 900 policiais (militares, civis e peritos) que vão atuar nas fronteiras do país para evitar a entrada de drogas como cocaína e pasta base usadas na produção do crack.
“O crack apresentou nos últimos 5 anos um fato novo em relação aos desafios no campo da saúde. As respostas têm sido heterogêneas, atrapalhadas, precipitadas. É preciso serenidade, pois estamos diante de uma experiência trágica. É uma situação social de extrema gravidade”, alerta o coordenador da área de saúde mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado.
Na semana passada, durante dois dias, um grupo de especialistas, incluindo Pedro Lima, Suelen Sales e Pedro Gabriel, se reuniu na sede da organização não governamental Viva Rio para definir estratégias e formular um documento com orientações de como tratar o problema do crack. As recomendações serão entregue a equipes do Programa de Saúde da Família.
De acordo com os especialistas, de todas as drogas o crack é a mais perversa. Por ser inalada, atinge diretamente o pulmão e o cérebro em cerca de oito segundos. Como o efeito é rápido, o usuário quer consumir cada vez mais, para manter a sensação de prazer constante. Com a frequência, o usuário se torna dependente em menos de cinco vezes de utilização. As últimas pesquisas sobre a droga mostram que em geral 30% dos usuários de crack morrem nos primeiros 5 anos de uso.
“Quem usa crack está sob a ação de uma cocaína quase 80 vezes mais poderosa do que a cocaína comum”, atesta Maria Thereza Aquino.
“O indivíduo algum tempo depois, três meses depois do uso, começa a ter tosse sanguinolenta, o nariz não para de escorrer, começa a decompor a musculatura, fica com uma magreza só comparável à magreza da Aids. Ele fica frágil, o pulmão arrebentado, o cérebro também sofre pequenas hemorragias. Então, o sujeito pode ter um comportamento errático. O que você consegue perceber no usuário de crack é uma espécie de indigência mental e física muito grande”, analisa a psiquiatra.
Para ilustrar o estado de um dependente de crack em estágio avançado, Maria Thereza costuma contar o relato de um de seus clientes. “Um paciente meu, universitário de 19 anos, estava namorando uma garota que frequentava com ele redutos de consumo de crack. Ele parou e voltou ao lugar para ver se a convencia – ela era de uma boa família – a parar. O rapaz disse que se viu diante da mais pobre menina de rua que já tinha visto. Era uma moça bonita e que estava em três meses completamente acabada. Essa droga provoca uma degradação humana assustadora”, conclui.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Epidemia

Epidemia de crack está fora de controle, adverte especialista

Cerca de 1,2 milhão de pessoas fazem uso da droga no país.

Psiquiatra da Uerj diz que atendeu 200 pacientes e só recuperou um.
Aluizio Freire Do G1 RJ
Um fotógrafo profissional de 40 anos, depois de passar noites vagando pelas ruas, evitando as pessoas, não resistiu aos apelos do vício e entregou sua câmera Canon de última geração, avaliada em mais de R$ 20 mil, nas mãos de um traficante. Em troca, pediu 30 pedras de crack. Duas meninas, uma de 8 e outra de 12 anos, satisfaziam todos os desejos sexuais de "craqueiros", em uma praça do Rio, para ter a droga. Embora os efeitos devastadores do crack sejam conhecidos, nem mesmo os especialistas mais experientes possuem uma receita eficaz para tratar os usuários dessa droga.
“Calcula-se que hoje pelo menos 1, 2 milhão de pessoas usem crack no Brasil. A maioria jovens. A gente não está falando de usuários de uma droga. A gente está falando de uma geração. Acho que estamos despreparados. Estamos de calças curtas. A gente não sabe como lidar com isso”, reconhece a psiquiatra Maria Thereza Aquino, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que durante 25 anos dirigiu o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad).
"Eu, honestamente, de todos os pacientes de crack que atendi, perto de 200, de 2008 a 2010, só recuperei um"
Os dramas dos personagens acima foram relatados a profissionais do Nepad, instituição que capacita professores, desenvolve pesquisas e oferece atendimento psicanalítico e terapêutico aos usuários. “Eu, honestamente, de todos os pacientes de crack que atendi, perto de 200, de 2008 a 2010, só recuperei um”, admite a psiquiatra.
Quanto ao aumento do número de usuários no Brasil, que já contabilizaria mais de 1 milhão de pessoas, Maria Thereza se refere ao estudo apresentado no início do mês passado pelo psiquiatra Pablo Roig, especialista no tratamento de dependentes da droga, durante o lançamento da Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack, na Câmara dos Deputados.
"O crack tem uma extensão assustadora. Existe uma sensação de descontrole, de perda da situação", afirma Pedro Lima, da Secretaria municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro.
“É uma coisa que assusta muito a gente. O problema é que quase ninguém sabe como lidar com isso”, emenda a gerente de projetos da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Suelen da Silva Sales, ao anunciar a formação de 900 policiais (militares, civis e peritos) que vão atuar nas fronteiras do país para evitar a entrada de drogas como cocaína e pasta base usadas na produção do crack.
“O crack apresentou nos últimos 5 anos um fato novo em relação aos desafios no campo da saúde. As respostas têm sido heterogêneas, atrapalhadas, precipitadas. É preciso serenidade, pois estamos diante de uma experiência trágica. É uma situação social de extrema gravidade”, alerta o coordenador da área de saúde mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado.
Na semana passada, durante dois dias, um grupo de especialistas, incluindo Pedro Lima, Suelen Sales e Pedro Gabriel, se reuniu na sede da organização não governamental Viva Rio para definir estratégias e formular um documento com orientações de como tratar o problema do crack. As recomendações serão entregue a equipes do Programa de Saúde da Família.
De acordo com os especialistas, de todas as drogas o crack é a mais perversa. Por ser inalada, atinge diretamente o pulmão e o cérebro em cerca de oito segundos.
De acordo com os especialistas, de todas as drogas o crack é a mais perversa. Por ser inalada, atinge diretamente o pulmão e o cérebro em cerca de oito segundos. Como o efeito é rápido, o usuário quer consumir cada vez mais, para manter a sensação de prazer constante. Com a frequência, o usuário se torna dependente em menos de cinco vezes de utilização. As últimas pesquisas sobre a droga mostram que em geral 30% dos usuários de crack morrem nos primeiros 5 anos de uso.
“Quem usa crack está sob a ação de uma cocaína quase 80 vezes mais poderosa do que a cocaína comum”, atesta Maria Thereza Aquino.
“O indivíduo algum tempo depois, três meses depois do uso, começa a ter tosse sanguinolenta, o nariz não para de escorrer, começa a decompor a musculatura, fica com uma magreza só comparável à magreza da Aids. Ele fica frágil, o pulmão arrebentado, o cérebro também sofre pequenas hemorragias. Então, o sujeito pode ter um comportamento errático. O que você consegue perceber no usuário de crack é uma espécie de indigência mental e física muito grande”, analisa a psiquiatra.
Para ilustrar o estado de um dependente de crack em estágio avançado, Maria Thereza costuma contar o relato de um de seus clientes. “Um paciente meu, universitário de 19 anos, estava namorando uma garota que frequentava com ele redutos de consumo de crack. Ele parou e voltou ao lugar para ver se a convencia – ela era de uma boa família – a parar. O rapaz disse que se viu diante da mais pobre menina de rua que já tinha visto. Era uma moça bonita e que estava em três meses completamente acabada. Essa droga provoca uma degradação humana assustadora”, conclui.

domingo, 9 de maio de 2010

CRACK - A DROGA DA MORTE

CRACK - A DROGA DA MORTE


O que é o crack? O crack, também conhecido como ‘pedra’ é um subproduto do processamento da cocaína. A cocaína, durante seu processo de elaboração tem de ser lavada com éter ou acetona ou até mesmo querosene e desta ‘lavagem’ resulta a cocaína, que vai ser secada para a venda e os resíduos que ficam no tanque de lavagem. Este resíduo é o crack.
Como o crack age no organismo? A fumaça do crack é levada diretamente aos alvéolos dos pulmões e ali é imediatamente absorvida e levada ao cérebro em questão de segundos causando efeito imediato no usuário.

Em quanto tempo de uso do crack o usuário se torna dependente da droga? Geralmente após a segunda vez que o usuário consome o crack ele se torna dependente da droga que tem alto poder viciante.

Por que o usuário de crack após usar a primeira dose tem uma compulsão despertada imediatamente para prosseguir no consumo? O crack causa um desejo mental incontrolável de prosseguimento no consumo após ser consumida a primeira dose da droga pelo usuário. Há uma nublação do pensamento que se volta unicamente para a obtenção da próxima dose e pode levar o usuário a cometer crimes e atos de violência contra si e contra terceiros.

Por quanto tempo um dependente de crack tem de ficar internado? Os períodos variam entre 120 dias e um ano. Qualquer internação com um prazo menor que este certamente está fadada ao fracasso.

Como o crack é usado? O crack é fumado ou em cachimbos, latinhas de alumínio, cachimbos improvisados e copos descartáveis com tampa de alumínio misturado com cinza de tabaco ou misturado com tabaco ou maconha (conhecido como ‘zirrê’, “fristo”, “mesclado”) em cigarros.

Como posso identificar se meu familiar ou amigo está usando crack? O primeiro sintoma do uso do crack é o desleixo pessoal. Depois vem o abandono das responsabilidades e o furto de objetos ou dinheiro em casa. O emagrecimento rápido e profundo também é logo visível. O que pode também demonstrar o uso do crack são as pontas dos dedos indicadores e polegar com bolhas ou marcas de queimadura causadas pela chama de combustão (isqueiro ou fósforo) do crack.

É possível a recuperação de um dependente de crack? É sim. Apesar de muito difícil, de requerer internação, vontade própria do dependente, forte apoio familiar, tratamento psiquiátrico e psicológico, e principalmente, manter sempre o ânimo e a fé na recuperação mesmo que haja recaídas durante o processo.
Meu familiar é dependente de crack. Como lido com ele? Não é fácil a convivência com um usuário de crack. Ele sendo controlável, não agressivo, pode se estabelecer sérios limites e restrições, como não sair sozinho, não ter dinheiro ou objetos de valor (relógios, jóias, etc.) em poder dele, não se deixar em lugar acessível em casa dinheiro ou objetos de valor que possam ser levados de forma discreta pelo usuário da droga. Apesar do índice de recuperação não ser superior, em caso do usuário ser internado, a 30% e, no caso do usuário tratar-se em casa, não ser superior a 10% sempre é possível a recuperação. Agora, caso o usuário seja agressivo e incontrolável somente uma internação compulsória pode levar a uma solução.

O crack é uma das drogas mais mortais que surgiram nas últimas décadas. Nos anos 80 nos EUA a onda do crack devastou boa parte da juventude antes de ser contida por forte repressão e programas de prevenção. Há a venda de pedras da droga por R$1, porém na maioria quase total são vendidas a preços que variam entre R$ 5 e R$50. Não é verdade também que o crack mata em um ano de uso. Ele leva à morte por falência dos órgãos com cerca de 4 anos de uso, porém antes disso pode advir uma overdose ou o usuário ser levado ao suicídio, ou ainda ser morto em disputas ligadas à dividas ou ao consumo da droga. A demência chega com cerca de 3 anos de uso.

Você quer colaborar para diminuir o consumo de crack na sua região? Então anote algumas sugestões que podem permitir isso sem que você se exponha a qualquer risco:

- Não dê dinheiro à pedinte nas ruas. Quer fazer caridade? Pague uma comida para ele, mas não de dinheiro, pois certamente será usado para comprar a droga, mesmo que ele tenha que juntar dezenas e dezenas de moedinhas de baixo valor;

- Destrua a tampa dos copinhos descartáveis (água, mate, etc.) que você acabar de tomar antes de jogar fora;

- Amasse a latinha de refrigerante ou cerveja antes de jogar fora.

E lembre-se sempre: o Disque Denúncia garante o anonimato do denunciante. Caso você saiba da venda da droga perto de sua casa ou de seu trabalho, não se amedronte e denuncie por telefone. Você pode, sem até saber, estar salvando a vida de alguma pessoa querida.
Conclusão:

Procuramos aqui dar um rápido painel prático sobre esta droga que está causando um tsunami em nossa sociedade. Ou o Brasil acaba com o crack ou o crack acaba com a juventude brasileira. A sociedade não pode mais omitir-se face a este grave problema.

sábado, 20 de março de 2010

Como identificar o usuário

COMO IDENTIFICAR UM USUÁRIO DE DROGAS

Muitos pais de dependentes químicos se perguntam: e se eu tivesse descoberto mais cedo...

Geralmente os sinais e sintomas podem ser identificados logo que se inicie a dependencia


Os motivos na maioria das vezes podem variar, segundo o indivíduo, sua personalidade, segue abaixo alguns dos motivos:

- Desajuste familiar;

- Fuga de problemas;

- Modismo;

- Imitação;

- Busca do prazer;

- Pais alcoólicos ou drogados;

- Tranqüilização;

- Complexo de inferioridade;

- Ociosidade;

- Pais separados;

- Filhos adotados;

- Falta de religiosidade;

- Desinformação;

- Ausência de amor;

- Auto afirmação;

- Curiosidade;

- Modernismo;

- Permissividade;

- Desespero;

- Contestação, rebelião contra as autoridades;

- Falta de desportos;

- Prazer de violar ou desafiar as convenções sociais e familiares;

- Facilidade de uso;

- Falta de ambiente familiar;

- Falta de diálogo com os pais;

- Influência de amigos, namorado(a);

- Frequência de maus ambientes;

- Enriquecimento rápido;

- Falta de orientação na escola;

- Propaganda;

- estimulação e desinibição;

- Tendências psicopáticas

- Distúrbios da personalidade;


ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DA PERSONALIDADE DO USUÁRIO DE DROGAS



*

O usuário de drogas geralmente apresenta comportamento impulsivo, não tem paciência em esperar que as coisas aconteçam naturalmente. A ação e o efeito rápido provocado pelo uso de drogas substituem a ação normal dos fatos;
*

O dependente apresenta incapacidade de enfrentar problemas, frustrações e muitas vezes recorrem às drogas para enfrentar o medo, desespero e a angústia, de forma a buscar sempre a gratificação imediata, pois não aprendeu a controlar o impulso com o pensamento;
*

Geralmente se usa de alguns medicamentos para com as pessoas de forma a manipulá-los;
*

Ilude-se a respeito de sua condição e nega a realidade, não admite a dependência química, acha que para quando quiser e consegue controlar o uso de drogas.
*

Justifica seus comportamentos insanos, negando a realidade e a causa do comportamento, que é a droga.
*

O individuo minimiza o problema, levando a se iludir sobre sua própria condição.
*

Projeta suas dificuldades nas outras pessoas, e vê características dos seus comportamentos nos outros, de forma que as pessoas que o rodeiam são o problema.



IDENTIFIQUE ALGUNS SINAIS GERAIS, RELACIONADOS, POSSIVELMENTE, AO USO DE DROGAS


*

Falta de motivação para estudar ou trabalhar;
*

Mudanças bruscas de comportamento;
*

Inquietação, irritabilidade, ansiedade, cacoetes;
*

Perda de interesse pelas atividades rotineiras;
*

Insônia;
*

Olhos avermelhados, olheiras;
*

Necessidade cada vez maior de dinheiro. Desaparecimento de objetos de valor ou dinheiro, etc. Pertences de valor de dentro de casa ou de amigos e parentes;
*

Há alterações súbitas de humor, uma intensa euforia, alternada com choro ou depressão;
*

Há perda de sono ou apetite, insônia, intercalada com períodos de sono demorado, troca do dia pela noite;
*

Começa a se relacionar com amigos diferentes;
*

Fica mais descuidado com a higiene pessoal;
*

Muda o vocabulário, usando termos mais pesados;
*

Tem atitudes de culpa e reparação: agride os pais, chora, se tranca no quarto;
*

Passa noites fora de casa;
*

Apresenta apetrechos como espelhinhos, fósforos, canudos, usados para cheirar cocaína;
*

Aparecem entre os pertences restos de fumo, maconha ou crack;
*

Tem recitas de medicamentos ou caixa de comprimidos psicotrópicos;
*

As roupas, os lenços ou as mantas têm cheiro forte de solvente;
*

Há vestígios de pó branco nos bolsos;





SINAIS E DICAS ESPECÍFICAS DE UM USUÁRIO DE DROGAS


1.

MACONHA, MARIJUANA, HAXIXE:

1.

Principais sintomas e sinais de conduta:

Tagarelice, excitabilidade, risadas ou depressão e sonolência. Aumento de apetite (doces principalmente), olhos vermelhos, congestos, alucinações, distúrbios na percepção do tempo e espaço.

1.

Elementos acessórios:

Odor de relva queimada no local, presença de vegetal cinza esverdeado triturado com pequenas sementes lisas, restos de cigarros feitos à mão, dedos manchados e odor nas roupas.


1.

ESTIMULANTES, ANFETAMINAS OU "BOLINHAS", E MODERADORES DE APETITES:

1.

Principais sintomas e sinais de conduta:

Inquietação, excitabilidade, tagarelice constante, confusão mental, falta de apetite com emagrecimento, insônia, conduta agressiva, boca seca com irritação das narinas (secas), alucinações e dilatação das pupilas.

1.

Elementos acessórios:

Presença de comprimidos de diversos tipos, hábito de fumar cigarros constantes, inquietação motora (não para quieto).


1.

DEPRESSORES CENTRAIS, BARBITÚRICOS (HIPNÓTICOS) E TRANQUILIZANTES:

a) Principais sintomas e sinais de conduta:

Sonolência, apatia, indiferença motora, aparência de ébrio, "língua enrolada", depressão.

1.

Elementos acessórios:

Embriaguez sem hábito de álcool, falta de força muscular, presença de comprimidos ou drágeas de diversas cores.

1.

SOLVENTES VOLÁTIL, COLA DE SAPATEIRO, DE AEROMODELISMO, LIMPA TIPOS, LANÇA PERFUMES, FLUÍDOS DE LIMPEZA, ÉTER, CLOROFÓRMIO, BENZINA:

1.

Principais sintomas e sinais de conduta:

Aparência de ébrio, excitação, hilaridade, linguagem enrolada, perda de equilíbrio, olhos vermelhos, nariz escorrendo (constipado), sonolência, inconsciência.

1.

Elementos acessórios:

Latas ou bisnagas de cola, frascos de lança-perfumes restos de sólidos ou nódoas em panos, sacos de plástico.


1.

LSD, DMT, STP, MESCALINA, PSILOCIBINA, CHÁ DE COGUMELO:

a) Principais sintomas e sinais de conduta:

Alucinações, delírios, confusão mental e dificuldades de raciocínio, risos e choros, atitudes impulsivas e irracionais, calafrios, tremores, sudorese, linguagem incoerente, pupila dilatada, reações de pânico com sensação de deformação no corpo e em objetos.

1.

Elementos acessórios:

Pequenos comprimidos ou drágeas, cubos de açúcar em manchas, restos de cogumelo (com cheiro de esterco), pequenos frascos.


1.

COCAÍNA:

a) Principais sintomas e sinais de conduta:

Excitação, aumento de atividade, agressividade, idéias delirantes com suspeita de tudo e de todos, palidez acentuada e dilatação da pupila.

1.

Elementos acessórios:

Septo nasal perfurado e com pequenas hemorragias, pó branco cristalino, objetos metálicos tipo caixa de rapé pó pequenos tubos metálicos.


7. ÓPIO, MORFINA, HEROÍNA E NARCÓTICOS DE SINTESE (ALFAGAN, PAMPENIL):

a) Principais sintomas e sinais de conduta:

Estupor, analgesia, lacrimeja mento, coriza, sonolência, pupila como cabeça de alfinete.

b) Elementos acessórios:

Pó branco cristalino ou escuro, ampolas, frascos, frascos de xarope, seringas hipodérmicos e acessórios, agulhas, manchas de sangue nas roupas, feridas, cicatrizes e abscessos no corpo, dedos queimados.


Observe cada pessoa que esta ao seu lado, pois todas essas informações podem ajudar a identificar o usuário de drogas.

quinta-feira, 4 de março de 2010

As Drogas

Cigarro - Por longos e longos anos as pessoas foram ensinadas que o cigarro somente provocaria reações no organismo após um grande período de uso, porém estudos recentes desmentem tais ensinamentos e assustadoramente mostram a real força do cigarro no organismo. Este, composto por tabaco seco enrolado por um fino papel que se queima após ser aceso, provoca rápidas reações no corpo do homem.

Segundo estudiosos, cerca de 10% dos fumantes que colocam o primeiro cigarro na boca já apresentam reações significativas no organismo que provocam a dependência por um período de até dois dias depois, idéia que se aplicava somente aos fumantes de longa data. O curioso é que um cigarro consegue suprir, em fumantes iniciantes, a necessidade do organismo em relação à droga por até uma semana, o que não acontece com fumantes de longa data.

Intrigantemente, a nicotina presente em um só cigarro consegue aumentar a produção de hormônios receptores no lobo frontal do cérebro, no hipocampo e no cerebelo que envolve a memória a longo prazo. Dessa forma, dois dias após ter fumado um único cigarro um indivíduo passa a ter necessidades da droga no organismo. A manifestação da dependência à droga ocorre por causa das adaptações que o organismo faz para recebê-la na busca por manter seu equilíbrio químico e funcional.

Com o decorrer do tempo, as pessoas tendem a necessitar de um novo cigarro em um curto período, ou seja, em um prazo de duas horas o organismo já deixa o indivíduo inquieto, irritado e ansioso fazendo com que busque a calmaria no cigarro.

Deixar de fumar não é fácil. Segundo pesquisas, somente 3% dos fumantes conseguem abandonar o vício e o restante pode até conseguir parar durante um período, mas após esse volta a fumar. Acredita-se que a melhor forma para abandonar o vício é deixá-lo de uma só vez e não gradualmente como muitos fazem.

Alcool - O principal agente do álcool é o etanol (álcool etílico). O consumo do álcool é antigo, bebidas como vinho e cerveja possuíam conteúdo alcoólico baixo, uma vez que passavam pelo processo de fermentação. Outros tipos de bebidas alcoólicas apareceram depois, com o processo de destilação.

Apesar de o álcool possuir grande aceitação social e seu consumo ser estimulado pela sociedade, este é uma droga psicotrópica que atua no sistema nervoso central, podendo causar dependência e mudança no comportamento.

Quando consumido em excesso, o álcool é visto como um problema de saúde, pois este excesso está inteiramente ligado a acidentes de trânsito, violência e alcoolismo (quadro de dependência).

Os efeitos do álcool são percebidos em dois períodos, um que estimula e outro que deprime. No primeiro período pode ocorrer euforia e desinibição. Já no segundo momento ocorre descontrole, falta de coordenação motora e sono. Os efeitos agudos do consumo do álcool são sentidos em órgãos como o fígado, coração, vasos e estômago.

Em caso de suspensão do consumo, pode ocorrer também a síndrome da abstinência, caracterizada por confusão mental, visões, ansiedade, tremores e convulsões.

Anfetaminas - As anfetaminas são drogas estimulantes, ou seja, estimulam o sistema nervoso central, provocando aumento das capacidades físicas e psíquicas. Os efeitos que podem ser sentidos no corpo são: dilatação da pupila, aumento da pressão sanguínea, aumento do número de batimentos cardíacos.

Anfetaminas são drogas sintéticas, fabricadas em laboratório. Foi sintetizada pela primeira vez em 1887, na Alemanha. Quarenta anos mais tarde começou a ser usada pelos médicos para aliviar fadiga, alargar as passagens nasais e branquiais e estimular o sistema nervoso central. Em 1932, a droga foi lançada na França com o nome de Benzedrine, na forma de inalador indicado como descongestionante nasal. Em 1937, foi comercializada na forma de comprimido para elevar estados de humor. Durante a Segunda Guerra Mundial foi utilizada pelas tropas alemãs para reforçar a resistência e eliminar a fadiga de combate.

O controle da comercialização iniciou por volta do ano de 1970, quando as anfetaminas passaram a ser consideradas drogas psicotrópicas, por causar um estado de grande excitação e sensação de poder, dependendo da dosagem. As anfetaminas provocam dependência física e psíquica, o uso freqüente pode ocasionar tolerância à droga e diante da suspensão poderá ocorrer também a síndrome de abstinência.

As anfetaminas são facilmente encontradas em farmácias e usadas principalmente em regimes de emagrecimento e como estimulante, pois inibe a fome e proporciona euforia, maior resistência e melhor concentração, porém as farmácias são obrigadas a vendê-las sob prescrição médica.

Ansioliticos - Ansiolítico é uma droga sintética utilizada para diminuir a ansiedade e a tensão. Atingem áreas do cérebro que controlam a ansiedade. Quando recomendado por médicos, não provocam danos físicos ou mentais.

É um medicamento sedativo, conhecido também como tranqüilizante, que possui o efeito de diminuir ou extinguir a ansiedade, sem prejudicar excessivamente as funções psíquicas e motoras.

São utilizados no tratamento de insônia e para reprimir crises convulsivas. Recebem o nome de drogas hipnóticas, por induzir o sono. Os ansiolíticos mais comuns são as substâncias chamadas benzodiazepínicos. São utilizados via oral, em forma de comprimidos ou cápsulas, ou via endovenosa, em forma de injeção.

Devido à facilidade com que este medicamento é disponibilizado em farmácias, seu uso tornou-se comum. Existem pessoas que ao se sentirem estressadas ou nervosas fazem uso desse medicamento, mesmo sem recomendação médica.

O ansiolítico é utilizado por usuários de drogas estimulantes, para diminuir a euforia, a excitação e até mesmo para dormir após o uso prolongado de drogas.

Os ansiolíticos benzodiazepínicos podem causar dependência quando são utilizados por um longo período.

Os sintomas de abstinência são: irritabilidade, dores no corpo, insônia, em casos extremos provoca convulsão.

Em mulheres grávidas, o ansiolítico pode provocar má formação fetal.

Os benzodiazepínicos são as drogas mais utilizadas em todo o mundo, e consideradas um problema de saúde pública nos países mais desenvolvidos.

Barbituricos - Barbitúricos são substâncias utilizadas, desde o início do século XX, para o tratamento da ansiedade e agitação de pacientes, principalmente por indivíduos com problemas psiquiátricos. Produzidos a partir do ácido malônico e da ureia, agem no sistema nervoso central, podendo causar sono ou relaxamento, dependendo da dosagem ministrada.

O surgimento de outras drogas, como as benzodiazepinas, e seu uso indiscriminado por determinados indivíduos, causando diversos casos de morte por parada cardíaca, insuficiência renal, complicações pulmonares e também suicídios; fizeram com que seu uso, hoje, fosse bastante restrito.

Atualmente, os classificamos como: barbitúricos de longa ação (de oito a dezesseis horas), estes utilizados no tratamento de epilepsia, úlceras pépticas e hipertensão arterial; de ação média (quatro a seis horas), ministradas para o tratamento de insônias; e barbitúricos de curta ação (imediata), utilizados como anestésicos e/ou sedativos.

A dosagem indicada, geralmente, se limita a 100 e 200 miligramas ao dia. Dosagens que ultrapassam tais valores, utilizadas por período contínuo, propiciam a tolerância, causando também dependência física e psicológica, e problemas como anemia, depressão, falta de coordenação motora, irritabilidade e confusão mental; sendo que, aliados ao álcool e a anfetaminas, o risco de morte é muito alto.

Os sintomas da abstinência incluem ansiedade, sudorese, perda de apetite, hiperatividade, convulsões, paranoia, câimbras, dentre outros; e podem durar até duas semanas. Esta situação requer tratamento médico e hospitalização.

O cloridrato de benzidamina (Benflogin) - é um antiinflamatório indicado para região de orofaringe, doenças periodontais, combate a infecções e é indicado até para acalmar coceiras em crianças. A dose máxima diária é de 200 mg. Estudos mostram que a ingestão de 500 mg de Benflogin, leva ao desenvolvimento de alucinações e se associado ao álcool essas são mais intensas. Isso acontece graças aos efeitos psicoativos de seu princípio ativo, o cloridrato de benzidamina, por isso a utilização desses medicamentos em altas dosagens tem sido muito comum entre os adolescentes e jovens, principalmente na vida noturna. Já se tem relatos de jovens que incrementam seus fins de semana com a ingestão de oito a quinze comprimidos da ''poção mágica'', tomada com bebida alcoólica ou refrigerante.

Na superdosagem, há o aumento da produção e da liberação de dopamina no cérebro, acelerando a atividade no sistema límbico que controla as funções, como memória e emoções. As experiências armazenadas sofrem deformações, causando alteração da percepção da realidade e conseqüentemente alucinações visuais. Entre os efeitos alucinógenos descritos, os principais são raios e luzes coloridas, após a movimentação do globo ocular e o chamado pelos usuários de "Efeito Bruce Lee”, no qual são visualizadas cenas em câmera lenta.
Quando acaba o estoque de dopamina, a pessoa sente cansaço, sonolência, irritação, tonturas, dores de estômago e falta de apetite. Gastrite, úlcera, sangramento intestinal, convulsões e falência dos rins são sintomas provenientes do abuso prolongado desse medicamento.

Alguns médicos questionam a venda do remédio. Ele foi desenvolvido há 40 anos e, de lá para cá, foram descobertos novos antiinflamatórios menos perigosos. Mas o uso de Benflogin nas doses prescritas pelos médicos é considerado seguro. Consta na bula, de forma bem clara e objetiva, que o medicamento não deve ser associado a bebidas alcoólicas, e afirma também que a superdosagem causa alucinação. O que deveria haver é um maior controle sobre a produção e distribuição. A receita médica deveria ser obrigatória para a aquisição desse produto.

Cocaína - A cocaína é uma droga psicoativa que estimula e vicia, promovendo alterações cerebrais bastante significativas. A mesma é extraída da folha da coca, e se consumida por muito tempo, ocasiona danos cerebrais e diversos outros problemas de saúde.

A droga é originária da planta Erythroxylon coca, nativa da Bolívia e do Peru. A mesma pode ser utilizada via intranasal, intravenosa e pulmonar, também podendo, em casos mais raros, ser usada via oral.

Devido aos efeitos de euforia e prazer que a cocaína proporciona, as pessoas são seduzidas a utilizá-la para vivenciar sensações de poder, entretanto tais efeitos têm pouca duração. Logo o indivíduo entra em contato com a realidade, aspecto que desperta uma grande ansiedade em poder utilizá-la novamente.

Aceleração ou diminuição do ritmo cardíaco, dilatação da pupila, elevação ou diminuição da pressão sanguínea, calafrios, náuseas, vômitos, perda de peso e apetite são alguns dos efeitos biológicos da cocaína.

Codeína - A codeína é um alcalóide natural que compõe o ópio. É utilizado no tratamento da dor e para tosses secas sem expectoração. Os métodos de administração são oral ou endovenoso. O efeito é de 3 a 6 horas.

Os xaropes e gotas que contém codeína só podem ser vendidos com receita controlada. Os produtos comerciais à base de codeína são o Belacodid, Codelasa, Gotas Binelli, Pambenyl, Setux, Tussaveto, Belpar, Tylex.

Os efeitos da codeína são dilatação da pupila, má digestão, e prisão de ventre.

A codeína age no cérebro bloqueando o Centro da Tosse, área que comanda os ataques repentinos de tosse.

Quando utilizadas em doses maiores que a terapêutica, age também impedindo as regiões do cérebro que comandam as funções dos órgãos, ocasionando sonolência, diminuição dos batimentos cardíacos, da temperatura do corpo, da pressão do sangue e da respiração, podendo levar a pessoa ao estado de coma.

Os sintomas comuns da síndrome de abstinência quanto ao uso da codeína são: calafrios, cãibras, cólicas, irritabilidade e insônia.

Cogumelos - Os cogumelos são usados há milhares de anos como alucinógenos. O grau de alucinação e de efeito dos cogumelos depende do organismo de cada pessoa. Não causa dependência e nem síndrome de abstinência. Existem vários tipos de cogumelos usados entre eles:


Amanita Muscaria_ Possui dois tipos de alucinógenos sendo muscimol e ácido ibotêmico. Esses alucinógenos estimulam os neurotransmissores GABA no sistema nervoso central. Seus primeiros efeitos são desorientação, sono, falta de coordenação. Posteriormente ocorre euforia intensa, falta de noção de tempo, alucinações visuais e alterações de humor como a fúria, por exemplo. Se usado em grande quantidade pode causar intoxicação e em alguns casos pode ser letal.


Psilocybe Cubensis_ Estimula os receptores de acetilcolina situados no cérebro e no sistema nervoso. Seu uso provoca salivação, perda de controle da urina e das fezes, lacrimejamento, cólicas, náuseas, vômitos, queda do ritmo cardíaco e da pressão arterial. Seus alucinógenos são semelhantes ao LSD e provoca euforia, sonolência, visão obscura, pupila dilatada entre outros e seu efeito dura em torno de três horas.

Cola de Sapateiro - A cola de sapateiro é uma droga pertencente ao grupo dos inalantes, uma vez que é utilizada dessa forma, com absorção pulmonar. Segundo pesquisa feita pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, é a quarta droga mais consumida em nosso país, depois do tabaco, álcool e maconha.

Composta por diversas substâncias, como o tolueno e n-hexana, proporciona sensações de excitação, além de alucinações auditivas e visuais que, em contrapartida, são acompanhadas de tontura, náuseas, espirros, tosse, salivação e fotofobia. Tais efeitos são bastante rápidos, levando o indivíduo a inalar novamente.

Seu uso constante desencadeia em desorientação, falta de memória, confusão mental, alucinação, perda de autocontrole, visão dupla, palidez, movimento involuntário do globo ocular, irritação das mucosas, paralisia, lesões cardíacas, pulmonares e hepáticas, dentre outros; podendo desencadear em convulsões, inconsciência, e até mesmo morte súbita. Isso acontece porque tais substâncias provocam a destruição de neurônios e nervos periféricos, além de ser consideravelmente irritantes.

Sendo facilmente encontrada, também possui baixo custo, facilitando seu uso, por exemplo, por meninos e meninas de rua e estudantes. Assim, é um sério problema de saúde pública, inclusive considerando que atos infracionais cometidos por adolescentes sob efeito desta droga são superiores aos demais.

Diante destes fatos, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) emitiu a Resolução RDC nº 345, de 15 de dezembro de 2005, que proíbe a comercialização de substâncias inalantes que afetam o sistema nervoso central a menores de idade. Este órgão também exige, neste documento, que as embalagens de tal produto contenham número de controle, individual e sequencial; e que o vendedor preencha, no ato da compra, os dados pessoais do comprador, com sua respectiva assinatura. Além disso, esta resolução define inscrições relacionadas à toxidade que deve conter em tais embalagens.

Crack - O crack deriva da planta de coca, é resultante da mistura de cocaína, bicarbonato de sódio ou amônia e água destilada, resultando em grãos que são fumados em cachimbos.

O surgimento do crack se deu no início da década de 80, o que possibilitou seu fumo foi a criação da base de coca batizada como livre.

O consumo do crack é maior que o da cocaína, pois é mais barato e seus efeitos duram menos. Por ser estimulante, ocasiona dependência física e, posteriormente, a morte por sua terrível ação sobre o sistema nervoso central e cardíaco.

Devido à sua ação sobre o sistema nervoso central, o crack gera aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremores, excitação, maior aptidão física e mental. Os efeitos psicológicos são euforia, sensação de poder e aumento da auto-estima.

A dependência se constitui em pouco tempo no organismo. Se inalado junto com o álcool, o crack aumenta o ritmo cardíaco e a pressão arterial o que pode levar a resultados letais.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Pagar tratamento de dependente químico devasta orçamento familiar

Pagar tratamento de dependente químico devasta orçamento familiar

Marinella Castro - Estado de Minas

Publicação: 21/02/2010 07:48 Atualização: 21/02/2010 11:08
R. abraçado pelos pais, em frente à clínica onde está sendo tratado: carro já foi vendido e próximo passo agora é se desfazer do apartamento da família, na Região Oeste de BH - (Cristina Horta/EM/D. A Press )
R. abraçado pelos pais, em frente à clínica onde está sendo tratado: carro já foi vendido e próximo passo agora é se desfazer do apartamento da família, na Região Oeste de BH
Tratar a dependência química não é mais uma decisão apenas do paciente, mas do quanto o orçamento doméstico é capaz de pagar. O tratamento, que pode custar mais de R$ 10 mil por mês nos centros especializados, consome não só o amor das famílias, mas as economias de vários anos, a paz e, em alguns casos, o patrimônio. Mesmo assim, o esforço de pais, avós e parentes costuma não ser suficiente para arcar com a conta do hospital. O peso deveria ser dividido com os planos de saúde, mas a cobertura para o tratamento ainda não é uma realidade ampla, apesar de ser garantida pelas normas do setor. O mais grave, contudo, é que a defasagem entre a pequena oferta das empresas frente à escalada da dependência química está transferindo a delicada decisão para a Justiça.

A dependência química é uma doença social descrita pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com números que assustam o mundo. No país, estima-se que 11% da população tenham envolvimento com álcool e outras drogas. De acordo com a regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a internação, sem limite de tempo, é um direito de quem contratou um plano de saúde, desde que seja uma prescrição médica. Mas, na realidade, quando o tratamento não é feito na rede pública, ele acaba sendo bancado pelo orçamento doméstico. Os motivos variam desde a ausência de vagas na rede de tratamento conveniada até a baixa adesão dos planos aos convênios com centros de tratamento a médio prazo.

Um dia depois de descobrir que o filho adolescente R. havia se tornado usuário de cocaína, droga que, junto com colegas entre 13 e 16 anos descobriu na escola particular, Silvia (*) e o marido João deram início à fase mais difícil de suas vidas. Os dias se transformaram em uma batalha para salvar o filho, e agora a família se prepara para discutir, na Justiça, o direito à cobertura médica. R. é um garoto de classe média, que tem plano de saúde. Ele engrossa as estatísticas que apontam o crescimento do envolvimento de adolescentes com substâncias lícitas e ilícitas. Segundo os últimos dados do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas (Cebrid), 23,5% dos jovens entre 12 e 17 anos já experimentaram algum tipo de droga.

Aos 16 anos, o menino charmoso de sorriso manso tornou-se agressivo em casa, até mesmo com o pequeno L., o irmão de 8 anos. Quando sem controle e transtornado, avançou contra os pais com o propósito de agredi-los. Só foi contido em uma ação policial. Por determinação médica, e também como uma medida judicial de proteção, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, o menino deveria ser imediatamente internado, já que, naquele momento de surto, representava uma ameaça para si mesmo e para terceiros.

Apesar de a indicação médica e da Justiça, a vaga não foi liberada pelo plano de saúde. “Assim que descobrimos que nosso filho havia se envolvido com drogas, tentamos o tratamento ambulatorial e uma internação rápida, que não deu resultado. Ficamos desesperados. R. fugiu de uma clínica, ficou perdido por vários dias. Quando reapareceu, tornou-se extremamente agressivo em casa, e a Justiça determinou: ou a internação ou a cadeia”, conta, emocionada, a mãe do adolescente.

Como a família já havia vendido o carro, instrumento de trabalho do pai do garoto, para pagar a primeira internação de desintoxicação, decidiram acionar a Unimed-BH. “Foi aí que começou o nosso desespero. Precisamos internar R. com urgência e o plano, em um primeiro momento, disse que não tinha nenhum hospital credenciado”, lembra a mãe.

Depois de uma semana, a conversa avançou e a Unimed-BH ofereceu uma carta com a opção de duas instituições: o Hospital André Luiz e a Clínica Pinel, ambos para tratamento psiquiátrico. “Acontece que os dois hospitais se negaram a internar o meu filho, por ele ser menor. A Pinel, além de não trabalhar com crianças e adolescentes, também não interna involuntários, como era o nosso caso”, diz a mãe. O primeiro hospital entregou aos pais uma carta explicando a negativa de atendimento. A reportagem do Estado de Minas entrou em contato com a Pinel e recebeu a confirmação de que a instituição, de fato, não trabalha com menores.

(*) Os nomes dos personagens foram trocados para preservar a identidade das fontes
(**)Existem Comunidades Terapêuticas Alternativas em diversos estados, onde o tratamento voluntario pode variar entre R$ 600,00 e 2.500,00 mensais,atendendo menores de 18 anos e obtendo resultados animadores e sem a necessidade do uso de medicamentos (Rivotril, Diazepan, neusine,...)

O QUE É DEPENDÊNCIA DE TÓXICOS

O QUE É DEPENDÊNCIA DE TÓXICOS:

Num sentido geral ela é caracterizada pela necessidade incontrolável de prosseguir consumindo uma substância compulsivamente, apesar dos problemas significativos que podem surgir, sejam físicos, emocionais, financeiros, etc.
Os tóxicos, agindo no sistema nervoso central, vão produzir olhos brilhantes, palavras fáceis, excesso de movimentação, falta de autocrítica, desinibição, euforia e sensação de bem-estar físico. Este é o aspecto exterior do dependente.
Internamente, o problema se apresenta grave: o sistema nervoso central é atingido. Atuando sobre o cérebro, as drogas provocam alteração do funcionamento de todo organismo. O cérebro ordena um funcionamento mais acelerado dos aparelhos respiratório e circulatório, provocando uma sobrecarga nos pulmões e no coração. A fuga à realidade vai provocar uma momentânea sensação de bem-estar que, posteriormente, trará consequências de extrema gravidade.

CARACTERÍSTICAS GERAIS DA DEPENDÊNCIA:
A dependência é um grupo de características relacionadas ao conhecimento, comportamento e pensamento que indicam que uma pessoa não é capaz de controlar-se no uso de alguma droga. A dependência é composta por várias características gerais que não precisam estar todas presentes para que a mesma se caracterize. Eis as principais:
+ Depois da primeira dose, a pessoa sente vontade de repetir, mesmo quando prometeu só usar “um pouquinho”.
+ Gasta muito do seu tempo para conseguir, para usar ou recuperar-se do uso da droga;
+ Intoxicada (sob efeito da droga) ou com sinais de “falta” da droga nos horários em que deveria estar produzindo (exemplo: falta ao trabalho porque usou a droga precisa procurar a droga para sentir-se “bem”).
+ Afasta-se da família, do trabalho ou dos divertimentos para ficar usando a droga sozinho ou com outros amigos.
+ A pessoa não para de usar a droga, mesmo quando sabe que a mesma está lhe fazendo algum mal (físico, psicológico ou social), porque usa há mui

SINAIS DE DEPENDÊNCIA

A dependência, que é sempre consequência do uso esporádico ou frequente de algum tipo de produto tóxico que altera o metabolismo do corpo, apresenta uma série de indicadores para uma possível dependência, não
necessariamente em sua totalidade.
Eis os principais, normalmente citados:

+ Normalmente, a pessoa sente vontade de repetir, mesmo quando prometeu só usar “um pouquinho”;
+ Gasta muito do seu tempo para conseguir, para usar ou recuperar-se do uso da droga;
+ Apresenta-se intoxicada (sob efeito da droga) ou com sinais de “falta” da droga nos horários em que deveria estar produzindo. (Exemplo: falta ao trabalho porque usou a droga ou precisa procurar a droga para sentir-se “bem”);
+ Afasta-se da família, do trabalho ou dos divertimentos para ficar usando a droga sozinho ou com outros amigos;
+ A pessoa não para de usar a droga mesmo quando sabe que a mesma está lhe fazendo algum mal (físico, psicológico ou social), porque usa há muito tempo ou em quantidades muito altas;
+ Ocorre tolerância, ou seja, a pessoa precisa tomar maior quantidade de droga para sentir o mesmo efeito das primeiras vezes;
+ Se a pessoa parar de usar ou diminuir a quantidade de droga, aparecem sintomas de abstinência, ou seja, o organismo “sente falta” da droga;
+ A pessoa usa a droga para não apresentar, ou para diminuir os sintomas de abstinência;
+ Muitas são as substâncias que produzem dependência, desde os alucinógenos, a cocaína, as anfetaminas, a maconha, até alguns medicamentos, como calmantes e as substâncias aceitas pela sociedade, como o álcool e o tabaco.

DEPENDÊNCIA FÍSICA e PSICOLÓGICA
A dependência é física quando as drogas, alterando o metabolismo orgânico, obrigam o usuário a continuar consumindo tóxico; o corpo desenvolve uma constante necessidade da droga. Caso a droga não seja ministrada surgirá um conjunto de reações orgânicas conhecidas como crise ou síndrome de abstinência.
Um exemplo deplorável dessa síndrome é o “delirium tremens” que atinge o ébrio inveterado, quando se suspende, de súbito, a bebida alcoólica. Os tóxicos que criam dependência física, dizemos que causam “VÍCIO”.
A dependência é psíquica quando o consumo repetido de uma droga cria o invencível desejo de usá-la pela satisfação que produz. A falta do tóxico deixa o usuário abatido, em lastimável estado psicológico. Este efeito pode ser reforçado por uma exigência emocional ou pessoal do dependente. Este efeito pode também ser reforçado por uma dependência física, embora possa aparecer isoladamente. Uma pessoa pode, também, ser psicologicamente dependente de outras substâncias que não sejam drogas. Este estado psicológico é determinante de situações que tornam difícil o abandono de drogas. Os tóxicos que criam dependência psíquica, dizemos que causam ”HÁBITO”, como por exemplo, a nicotina, os barbitúricos, as anfetaminas, etc.

QUAL O VERDADEIRO PERIGO DAS DROGAS?
O maior perigo é a grande deformação psicológica que elas criam. Qualquer droga pode dar início a sensação de liberdade, euforia e até onipotência, mas com o passar do tempo, o viciado não percebe que sua vida passa a ter um único objetivo - A DROGA.
E tudo aquilo que ele buscava no início é substituído pelo tóxico com doses maiores e em intervalos de tempo cada vez menores. Suas 24 horas do dia só passam a ter uma busca - A DROGA. É esta deformação psicológica que o dependente só vai perceber quando estiver à beira do sanatório ou a caminho de uma morte sem dignidade, tentando abandonar desesperadamente a droga sem poder.

A DEPENDÊNCIA É UMA DOENÇA

O uso contínuo de substâncias tóxicas causam dependência e com o passar do tempo, acaba por instalar-se como doença denominada de “dependência química”, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como tal.
O valor de conceituarmos a dependência como doença retira o problema da esfera moral e social. Com frequência, as pessoas olham para os dependentes como pessoas fracas, de pouca força de vontade, sem bom senso e sem sabedoria. Entretanto, quando a consideramos como doença, podemos olhar sob outra perspectiva: de que se trata de um transtorno, em que o portador desse distúrbio perde o controle no uso da substância, e sua vida psíquica, emocional, espiritual, física vão deteriorando gravemente. Nessa situação, a maioria das pessoa precisa de tratamento e de ajuda competente e adequada.
- É uma doença química: Pelo fato que o que provoca a dependência é uma reação química no metabolismo do corpo. O álcool, embora a maioria das pessoas o separe das drogas ilegais, é uma droga tão ou mais poderosa em causar dependência em pessoas predispostas, quanto qualquer outra droga, ilegal ou não.
- É uma doença interna e não externa: A causa básica e única é o uso do produto, mas existem fatores internos inerentes ao organismo, que atuam ao mesmo tempo direta e indiretamente e que contribuem para a instalação da doença, provocando uma predisposição física e emocional para a dependência. As expressões externas de uma dependência, como uma série de problemas sociais (pressão de grupo, moda, fome e miséria), familiares (falta de diálogo com os pais), sexuais, profissionais, emocionais (ansiedade, culpa), religiosos, etc., não são as geradoras da dependência química e sim consequências de um determinado estilo de vida.
- É uma doença de variadas consequências: Como já dissemos, a dependência química gera inúmeros problemas sociais, espirituais, familiares, físicos etc.
- É uma doença progressiva: A lógica da interrupção desse processo destrutivo é não usar mais a droga, caso contrário a tendência é piorar com o passar do tempo.
- É uma doença crônica incurável: Uma vez dependente químico, sempre dependente, indiferente de estar ou não em recuperação, usando ou não usando algum tipo de droga. Não há cura para a dependência; existe sim tratamento com êxito - contínuo e permanente.

- É uma doença controlável: Mesmo que não se possa usar o álcool ou outras drogas de maneira “social” ou “recreativa”, a exemplo de um diabético que não pode exagerar no açúcar, o dependente, se aceitar, e realmente se empenhar no tratamento, poderá viver muito bem sem a droga e sem as conseqüências negativas do seu uso frequente.
- É uma doença que atinge toda família: Qualquer tipo de comportamento toxicomaníaco tem uma incidência sobre aqueles que rodeiam a pessoa em causa e, sobretudo, sobre a sua família, tornando-a co-dependente do problema. O convívio com o dependente faz com que os familiares adoeçam emocionalmente, sendo necessário que o familiar também se trate, e, ao mesmo tempo, receba orientações a respeito de como lidar com o dependente, como lidar com seus sentimentos em relação ao mesmo.
- É uma doença física: Se manifesta pelo aparecimento de profundas modificações físicas, alterando o metabolismo orgânico quando se interrompe o uso da droga. Obrigam o usuário a continuar consumindo tóxicos; caso contrário, sobrevem uma “crise ou síndrome de abstinência”. Essas alterações presentes na “Síndrome de Abstinência” se manifestam por sinais e sintomas de natureza fisica e variam conforme a droga. Os tóxicos que criam dependência física, dizemos que causam/provocam “VÍCIO”.
- É uma doença psicológica: É a sensação de satisfação e um impulso psíquico provocado pelo uso da droga que faz com que o indivíduo a tome continuamente, para permanecer satisfeito e evitar mal estar, ou seja, quando o consumo repetido cria o invencível desejo de usá-lo pela satisfação que produz. A falta do tóxico deixa o usuário abatido, em lastimável estado psicológico. Quando privados os dependentes sofrem modificações de comportamento, mal-estar, e uma vontade irreprimível de usar a droga. Os tóxicos que criam dependência psíquica, dizemos que causam/provocam “HÁBITO”.
- Uma doença espiritual: A iniciativa de buscar refúgio ou prazer em qualquer tipo de droga já caracteriza uma patologia grave, não só orgânica como também em relação a própria existência humana. O abandono dos caminhos de Deus nos afastam do seu amor que traz a verdadeira liberdade e prazer em viver. Tais estilos de vida somente nos arrastam e nos prendem ao mundo das dependências, que só geram dor, sofrimento e desgraça humana.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O que fazer?

“Matar ou morrer, matar um pai ou uma mãe, tudo para conseguir o crack” frase do jovem Gustavo Ramos, irmão do jogador Mauricio Ramos.
Esta é a realidade deste mundo de faz de conta. Não são poucos os casos de assaltos, furtos, homicídios alavancado pelo desejo irrefreável de satisfazer o desejo supremo de suas vidas, que destrói sonhos e afoga em lagrimas mães, esposas, enfim todos os que estão envolvidos direta e indiretamente com algum dependente químico.
Em uma reportagem no dia de hoje (06/02), pude assistir um senhor lamentando-se haver sofrido dois assaltos, realizados pelo mesmo jovem. O que lhe deixava indignado era que este mesmo jovem além de morar na casa atrás da sua, ele o vira crescer, e relatava que em inúmeras ocasiões lhe dera dinheiro para comprar doces.
O dependente químico não é um individuo de natureza má, sim, são geralmente pessoas dóceis, carinhosas, inteligentes, entre outras características. Quem os conhece custam a crer que nas atitudes que tomam nos momentos em que entram no período de abstinência, violência, falta de amor, agressão as pessoas que amam, falta de consciência, perda de valores morais e éticos. O dependente químico neste momento é psicologicamente modificado, muda digamos assim do vinho para o vinagre.
Muitas vezes os pais não sabem mais como proceder, muitos apelam para medidas extremas, e não são poucos. Conheci pais que para proteger suas famílias e a vida do dependente químico buscam nas duras garras da lei a salvação. Pais que denunciam os filhos por furtos e agressões, uma das mais usadas é a lei Maria da Penha, uma vez que são as mães, irmãs e esposas as principais vitimas. Nesta semana estive com um pai de u usuário de crack e durante a nossa conversa perguntei sobre o jovem e para minha alegria e espanto recebi a seguinte resposta: “está ótimo, está vendo o sol quadrado”.
Como podemos agir, como proceder quando nos vemos envolvidos em tal situação, muitas vezes nós que trabalhamos nesta área, seja como psicólogo, psiquiatra, medico, enfermeiro ou pastor. Perguntamos-nos qual o método que melhor se enquadra a situação que nos é apresentada, internação voluntaria ou involuntária.
O que é internação voluntaria e involuntária?
I - internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usuário;
Este tipo é a que tenho maior proximidade, é onde o próprio dependente busca ajuda para mudar sua situação, mesmo que venha desistir algumas vezes do tratamento, devido a ser um tratamento em que se tem a opção de desistir em qualquer ponto.
II - internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro;
Método que ficou amplamente conhecido nos meios de comunicação, quando uma comunidade terapêutica no estado de São Paulo apareceu arrebatando dependentes químicos pelas ruas paulistas, usando inúmeras maneiras para encaminhá-los ao tratamento.
III - internação compulsória: aquela determinada pela Justiça.
Esta ultima é a utilizada atualmente muito comumente no Estado do Rio de Janeiro onde foi aprovado a internação compulsória de menores dependentes químicos, independente da sua vontade e dos seus familiares.
Escolha a que lhe é mais conveniente neste momento!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Reflexão

Todos os dias ao despertar penso: “Deus hoje vai ser diferente!?”. Todos os dias quando me dirijo a instituição, são cerca de 1,3km da minha casa até instituição onde sou um coordenador, penso e repenso sobre o que este novo dia me prepara, quais as surpresas e desafios já estarão a minha espera. São inúmeros os telefonemas de pais e familiares desesperados em busca de uma resposta a uma pergunta que nunca se cala nos lábios dos entes de um dependente químico, há uma chance de recuperar-lo? Todos os dias atendemos familiares, pastores e pessoas que dedicam as suas vidas no auxilio dos necessitados. Realizamos entrevistas com os familiares para termos uma idéia do tipo de problema que estaremos abraçando e vemos quase sempre as mesmas historias de dor e sofrimento, anos de renúncia em prol a vida de um filho ou irmão, que na maioria das vezes lutava para não ser retirado do seu prazeroso mundo da dependência química. Famílias que acumularam prejuízos financeiros e emocionais durante talvez anos, nos quais estava seu marido, filho ou irmão mergulhado no tenebroso mundo do faz de conta das drogas, na busca de uma realidade alternativa para suas frustrações, medos e rebeldia, colocando uma mascara para serem esquecidos pela família e a sociedade.Vemos todos os dias são como cadáveres vivos, homens e mulheres consumidos pela dependência química, que passam dias e noites somente consumindo drogas, muitos já não possuem mais traço algum daquilo que conhecemos por moral, amor ou qualquer outra coisa que reconheçamos como uma característica emocional humana. Seus pensamentos estão somente voltados para a aquisição de uma nova dose, já não possuem paes, filhos, mulheres,amigos, enfim trocaram tudo pela próxima dose. A algum tempo atrás recebi no gabinete um senhora buscando tratamento para sua filha, e durante nossa conversa informei que não estávamos trabalhando no momento com internação feminina, e para meu ouvi-a dizer não haver problemas se a filha ficasse entre 15 homens, na época desta conversa, expliquei que não seria salutar para a recuperação da jovem, mas ela insistido com ar de desespero me confidenciou que sua filha de 19 anos, prostituia-se para adquirir drogar e que nada de pior poderia acontecer com ela...
Esta é a realidade do mundo das drogas, violência, prostituição, medo, desconfiança, desamor e morte. Pelas ruas das nossas cidades podemos ver, ao anoitecer, as legiões de mortos vivos saindo as ruas, sujos, maltrapilhos, verdadeiros cadáveres ambulantes, correndo para todos os lados, naquilo que eles mesmo chamam de “correria”, onde vão até os seus fornecedores tentando realizar a forma de negocio mais antiga da humanidade, o escambo, sim a troca de produtos na sua maioria furtados em suas casa ou na vizinhança afim de trocar por uma pedra de crack e depois correr para o local de consumo da mesma. Pela madrugada posso observar pela janela inúmeras pessoas na busca do produto que lhe satisfaz, homens, mulheres, adolescentes, na sua maioria descalços sujos, sim este é o perfil dos usuário de crack. Certa vez um mãe que trazia seu filho para a internação me indignada, que seu filho estava descalço porque o par de sandálias que ela havia comprado no dia anterior havia sido trocado por drogas naquela mesma noite.
Me pergunto até onde podemos ajudar? Até onde os poderes constituídos da nossa Nação irão permitir este genocídio silencioso?
E Você????????
Pr. Ricardo

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A epidemia e o descaso

Nesta primeira postagem do "O Noia", gostaria de abordar a onda que vem assolando não somente as grandes capitais, Rio, São Paulo, Belô, Vitoria, mas todos os cantos da nação. O Crack está atualmente em todos os noticiários, está mais em evidencia que os escândalos no senado, mais presente que a corrupção e mais imbatível que a dengue. Vemos a todos os momentos casos de violência familiar, furtos, assaltos seguidos de morte, arquitetados por usuários da droga mais devastadora que se tem noticias até o presente momento, inúmeras famílias correm de um lado para outro tentando resgatar seus entes queridos da morte silenciosa que o crack proporciona aos seus usuários. Estas situações não se limitam mais a famílias carentes das periferias das grandes cidades, muito menos aos barracos e palafitas, está dentro de mansões e coberturas das nossas cidades. Como coordenador de uma instituição que presta assistência a dependentes químicos, vejo diariamente inúmeras famílias em peregrinação, buscando auxilio nos serviços sociais das cidades, promotorias, serviços municipais e estaduais de saúde, e nos nossos portões, tentando desesperadamente a solução para o flagelo das drogas, buscando incansavelmente salvar aqueles a quem amam.
Infelizmente atualmente as autoridades publicas tem dado muito pouco incentivo ao trabalho de prevenção, principalmente nas cidades pequenas do interior, assim como as cidades do Sul do Estado do Espirito Santo, onde as cidades além de não terem um plano estratégico para capacitar os jovens e adolescentes para o futuro, não possuem um sistema de saúde ou convenio com instituição que possa atuar neste hiato que cresce cada dia mais. O grande problema está não na policia, que apesar de atuar na medida do possível não tem poder para atuar onde realmente seria necessário haver uma intervenção. Mas que intervenção seria esta, não seria uma mega operação policial que desbarataria todo o esquema do trafico, não, a solução não seria imediata assim, todo o trabalho estaria nas mão das assalariadas professoras, sim, todo o trabalho de prevenção deve começar com a conscientização das nossas crianças, já que são elas as primeiras a detectarem as mudanças comportamentais em nossos filhos. Talvez você diga: Mas elas já não trabalham demais e ganham tão pouco? Sim é uma realidade nas cidades pequenas, mas o magistério também é uma forma de sacerdócio, e somente com o auxilio destes sacerdotes da educação teremos uma chance de impedir que uma nova geração de Escadinhas, Fernandinhos, Aranhas, Tolas entre tantos outros venha a crescer novamente em nossas cidades.

O que é o Crack ?

Crack é uma droga feita a partir da mistura de cocaína com bicarbonato de sódio. A droga, em pedras, geralmente é fumada...[1] A droga chega ao sistema nervoso central em dez segundos, devido a área de absorção pulmonar ser grande. Em relação ao seu preço, é uma droga mais barata que a cocaína.[2]
O uso de cocaína por via intravenosa foi quase extinto no Brasil, pois foi substituído pelo crack, que provoca efeito semelhante sendo tão potente quanto a cocaína injetada. A forma de uso do crack também favoreceu sua disseminação, já que não necessita de seringa - bastando um cachimbo, na maioria das vezes improvisado, como uma lata de alumínio furada por exemplo. Isso aumenta o risco de contaminação do sangue do dependente por conta do metal, que se desprende da lata.
O crack eleva a temperatura corporal, podendo causar no dependente um acidente vascular cerebral. A droga também causa destruição de neurônios e provoca a degeneração dos músculos do corpo (rabdomiólise), o que dá aquela aparência característica (esquelética) ao indivíduo: ossos da face salientes, braços e pernas finos e costelas aparentes. O crack inibe a fome, de maneira que os usuários só se alimentam quando não estão sob seu efeito narcótico. Além do mais, outro efeito da droga é o excesso de horas sem dormir, e tudo isso pode deixar o dependente facilmente doente.
O usuário de crack se torna completamente viciado na droga em pouco tempo. Normalmente o dependente, após algum tempo de uso da droga, continua a consumí-la apenas para fugir do desconforto da síndrome de abstinência - depressão, ansiedade e agressividade - comuns a outras drogas estimulantes.
Após o uso, a pessoa apresenta quadros de extrema violência, agressividade que se manifesta a princípio contra a própria família, desestruturando-a em todos os aspectos, e depois, por consequência, volta-se contra a sociedade em geral. As chances de recuperação dessa doença, que muitos especialistas chamam de "doença adquirida" (lembrando que a adiccão não tem cura) são muito baixas, pois exige a submissão voluntária ao tratamento por parte do dependente, o que é difícil, haja vista que a "fissura", isto é, a vontade de voltar a usar a droga, é grande demais. Além disso, a maioria das famílias de usuários não tem condições financeiras de custear tratamentos em clínicas particulares, ou de conseguir vagas em clínicas terapêuticas assistenciais, que nem sempre são idôneas. É comum o dependente iniciar, mas abandonar o tratamento. Embora seja tão potente quanto à cocaína, a maior causa de morte entre os usuários são as dívidas com os traficantes e as doenças sexualmente transmissíveis, como o HIV, por exemplo, por conta do comportamento promíscuo que a droga gera.
O uso do crack - e sua potente dependência - frequentemente leva o usuário à prática de delitos, para obter a droga. Os pequenos furtos de dinheiro e de objetos, sobretudo eletrodomésticos, muitas vezes começam em casa. Muitos dependentes acabam vendendo tudo o que têm a disposição, ficando somente com a roupa do corpo. Se for mulher, não terá o mínimo escrúpulo em se prostituir para sustentar o vício. O dependente dificilmente consegue manter uma rotina de trabalho ou de estudos e passa a viver basicamente em busca da droga, não medindo esforços para consegui-la. É bom ressaltar que embora seja uma droga mais barata que a cocaína, o uso do crack acaba sendo mais dispendioso: o efeito da pedra de crack é mais intenso mas passa mais depressa, o que leva ao uso compulsivo de várias pedras, por dia.
Estudos relacionam a entrada do crack como droga circulante em São Paulo ao aumento da criminalidade e da prostituição entre os jovens, com o fim de financiar o vício. Na periferia da cidade de São Paulo, jovens prostitutas viciadas em crack são o nicho de maior crescimento da AIDS no Brasil.
O efeito social do uso do crack é o mais devastador, entre as drogas normalmente encontradas no Brasil. A droga arruína de tal forma a vida do consumidor do produto que, diz-se, no início as próprias quadrilhas de traficantes do Rio de Janeiro não permitiam a entrada da droga, entretanto recentes reportagens demonstram que atualmente a realidade é bem diversa, e o entorpecente já é o mais comercializado nas favelas cariocas. Atualmente, pode-se dizer que há uma verdadeira "epidemia" de consumo do crack no País, atingindo cidades grandes, médias e pequenas.
Um estudo[3] acompanhou 131 dependentes de crack internados em clínicas de reabilitação, e concluiu que usuários de crack correm risco de morte 8 vezes maior que a população em geral. 18,5% dos pacientes morreram após 5 anos. Destes, cerca de 60% morreram assassinados, 10% morreram de overdose e 30% em decorrência da aids.

Pr. Ricardo Ferreira